the NachtKabarett

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All Writing & Content © Nick Kushner Unless Noted Otherwise
Translation by Heather Quick (from Mechanical Christ BR)

O Tarô é uma antiga forma de adivinhação. Muitas vezes mal interpretado como tendo utilidade para prever o futuro, o Tarô pode, de alguma forma, adivinhar o futuro, mas apenas na medida em que é revelado ao leitor em um estado; de estar presente, assim podendo proceder o destino da promessa, como dito por Alejandro Jodorowski, sábio mestre do Tarô de longa data. O método pelo qual é revelado, é dito na ordem e formação que as cartas aparecem, no qual o leitor adivinhou.

Acredita-se que o Tarô evoluiu progressivamente do que hoje são os jogos de carta modernos, e vice-versa, dependendo da fonte. As cartas do Tarô são separadas em quatro naipes, da mesma forma do jogo de carta convencional, mas as diferenças mais evidentes são de que o Tarô contém 22 cartas adicionais, a última, na qual é conhecida como Major Arcana e a primeira como Minor Arcana. A atribuição dos naipes, ao invés de ser Ouro, Copas, Espadas e Paus, o Tarô consiste de Espadas, Pentáculos, Cálices e Ouros ou Bastões. Também dentro de ambos os sets das cartas, têm as imagens; no Tarô entretanto há Reis, Rainhas e Cavaleiros e Pages, uma carta a mais do que o jogo comum; são 14 em cada parte, ao contrário das convencionais 13. Diferentemente em contraste são 22 cartas de personagens, ou cartas Triunfo; nas quais 10 foram estilizadas pelo Manson e usadas dentro do encarte do Holy Wood. Muitas delas foram totalmente reinterpretadas com algo sendo totalmente invertido de suas bases históricas para propósitos simbólicos delienados abaixo. Adicionalmente, há cinco maneiras de interpretar cada carta, uma metodologia que é aplicada a todas as variações de leitura do Tarô: estrutura gráfica (escondida), símbolos individuais, distribuição de cores, associações tradicionais, e finalmente um sentimento ou ressonância distintiva com cada carta.

Houve várias interpretações e representações do Tarô por toda a história, a mais famosa e largamente usada são as do deck de Arthur Edward Waite, mas outros, como Aleister Crowley com seu deck Thoth, e mais recentemente com H.R. Giger, reinterpretaram o Tarô.

Quando lidamos com a simbologia do Tarô, é mais notado o personagem cartas Triunfo, que são discutidos. Cada elemento dessas cartas Triunfo contém uma simbologia oculta e subliminar que varia de letras Hebráicas formadas pelo posicionamento dos membros encravados e dígitos das figuras, até vários elementos e objetos representados nas cartas que tem um significado muito mais profundo no oculto, astrologia e adivinhação do que se é visto superficialmente. Muitas das cartas que Manson reinterpretou, novamente, só dez das vinte e duas, são simbólicas e tem correspondência mais notável com Saturno, Mercúrio e Adam Kadmon; todos nos quais são representativos de renascimento e transformação.

Em relação a Cabala, há vinte e duas letras no alfabeto Hebráico e cada uma das cartas Triunfo representam uma letra. Cada uma das letras do alfabeto Hebráico são denotadas com um valor numerológico. A relação que segue “aleph,” a primeira letra do alfabeto, corresponde ao Mago, numerada como I das cartas Triunfo; o número da carta do Diabo é XV e corresponde a letra hebráica “ayin,” que é a décima quinta letra do alfabeto hebráico. Adicionalmente, é seguro por vários sábios ocultos que as quatro partes do Tarô correspondem a uma das quatro letras do Tetragrammaton.

O Tarô corresponde aos caminhos na Árvore da Vida Cabalística. Para mais do muitos elementos Alquímicos e Cabalísticos acima, veja a seção ALQUIMIA E CABALA do NACHTKABARETT

O Tarô conta uma estória das características do Homem em sucessão das cartas mostradas, revelando o caminho à ascendência espiritual do estado mais baixo ao mais alto, naquela ordem de progressão cíclica por natureza, assim, criando um paralelo, exatamente como a progressão do Holy Wood e Antichrist Svperstar.

Dentro desse artigo, a simbologia, significados e representações de cada uma das cartas que Manson reinterpretou, será discutido, ambos ao longo de sua existência na história do Tarô, bem como o significado de elementos adicionais que Manson inseriu em seu deck, e da onde eles são representativos, incluindo sua ordem e por que Manson colocou-as de tal forma.

 

A atribuição das cartas, como delienado acima, é a chave para adivinhação do Tarô, a ordem na qual é para responder a questão adivinhada pelo portador das cartas, pelos seus avisos, premonições, expectativas, decisões etc, pela simbologia dentro das cartas e suas ordens. Entretanto, dentro do encarte do Holy Wood, não há uma pergunta que foi feita, apenas a apresentação de uma resposta pela atribuição das cartas, que podem ser colocadas juntas através de suas ordens e elementos.

A atribuição das cartas é feita muito especificamente para contar uma estória do Manson. Uma primeira evidência dessa intenção; por exemplo, se alguém vê o Holy Wood estabelecido com o lado do Tarô para cima, começando a desdobrar o encarte (deixando o lado do Tarô virado para cima) começa do lado esquerdo com o rosto do Mago em cima do carta do Demônio, as fotos dos membros da banda irão se alinhar lado a lado com as cartas do Tarô os representando. Desdobrando o lado interior, rolando o encarte, a foto com o Manson usando a pele de macaco com a Cruz Tau aparecerá diretamente próximo à carta do Imperador, desdobre de novo e a foto do Ginger Fish aparecerá ao lado da carta do Eremita, e seguindo por todo o encarte, a foto do John 5 com O Louco, Madonna Wayne Gacy com a carta da Justiça, Twiggy Ramirez com a Sacerdotisa e, por último, a carta do Hierofante corresponderá com a carta da Morte, as primeiras e últimas cartas dentro do encarte.

Essa correspondência do encarte é muito similar a contraparte do Holy Wood, o Antichrist Svperstar, que palavras e imagens são formadas por desdobrar o encarte em diferentes posições, nesse caso apenas sendo mais esotérico, súbito e, reciprocamente, alegórico.

Layout das dez cartas da Major Arcana reinterpretadas pelo Manson dentro do encarte do Holy Wood, com o Enforcado atuando como um prelúdio ao álbum em si.
ESPERE PARA VER A ILUSTRAÇÃO:
Desdobrando o interior do encarte do Holy Wood (por exemplo, o Mago se desdobrando acima da carta do Demônio) as fotos da banda iram cair à direita do Tarô, representando cada membro da banda respectivamente, até as últimas; as cartas da Morte e Hierofante, a primeira e última carta dentro do encarte do Holy Wood estão lado-a-lado.

Deveria ser notado que o Holy Wood estava intencionado a representar o primeiro álbum da Tripytch do Antichrist Svperstar, Mechanical Animals e Holy Wood; deste modo, a atribuição das cartas podem representar a progressão de Manson/Adam Kadmon através dessa Tripytch, e o destino que o sucederia, já que a ordem da leitura do Tarô é exatamente essa, de contar uma estória.

 

O Enforcado, embora não marcado especificamente como uma carta dentro do encarte do Holy Wood, é, de fato, a primeira carta que aparece no deck do Manson, sendo a capa do álbum e a décima segunda carta do Major Arcana. O Enforcado, como é chamado historicamente, bem como todas as cartas que seguem tanto tradicionalmente, como a reinterpretação do Manson, tem vários elementos ocultos e simbolismo que atuam durante todo o Holy Wood. É também uma das cartas mais radicalmente revisadas pelo Manson. A versão de Aurthur Edward Waite é também chamada de “The Hanged Man” (NT: O nome da carta original é “The Hanging Man,” mas traduzido da mesma forma como “O Enforcado”), e como é evidente durante todas as outras reinterpretações do Manson, muitas de suas outras cartas também são padronizadas de uma forma próxima ao deck de Waite; esse deck tornou-se o mais usado. O aspecto mais drástico da interpretação da carta do Manson, é inversão do enforcado em si: O tradicional fica de cabeça para baixo e a do Manson de cabeça para cima, representando Cristo. Nessa descrição do Manson como Cristo, ele está suspenso, sendo uma das duas inserções pessoais imediatas feitas por ele.

A representação tradicional [1] & Manson como O Enforcado. A tradicional, como oposta à de Waite, na qual ele omitiu (como muitas de suas interpretações das cartas) vários elementos alquímicos e símbolos ocultos cruciais, como o paralelismo do cabelo do enforcado para baixo, que ecoa com a grama crescendo para cima para ilustrar transformação; a natureza cíclica da vida através da morte, que aparece virtualmente em cada canto do Holy Wood. Manson disse que essa representação foi feita após um quadro de Cristo. Atrás do numeral XII está o visível INRI, a sigla em latim que significa “Jesus de Nazaré Rei dos Judeus” que foi rabiscado acima da cruz original da crucificação.

“O Homem é retratado como suspenso no espaço, seu isolamento reflete sua básica solidão, e a postura desconfortável reflete seu próprio tormento interior. [1]” Já temos um paralelo ao Holy Wood e a Triptych com o tema recorrente da solidão, tormento e isolamento; particularmente em músicas como “Disassociative” e “In the Shadow of the Valley of Death” (o título da música é o subtítulo do Holy Wood), mas dessa vez vista de um forma espiritual/metafórica, que também é ilustrado no encarte do Holy Wood.

O Enforcado é também frequentemente descrito como sendo sorridente ou indiferente à dor, como se ele não estivesse ciente de seu caos interior. Manson, entretanto, na representação do Enforcado, não é tão aparente que sua mandíbula tenha sido removida, ambos na capa e contracapa do Holy Wood, refletindo o conceito de censura imposta em vários artistas, bem como nele mesmo, como se Manson fosse quem esteve na vanguarda da consequência de Columbine, que o caça, por causa da alegada influência perigosa que ele – e outras formas de entretenimento – teve na juventude Americana. Isso, bem como a instigante representação de Cristo, fizeram com que várias redes de varejo se recusassem a vender o álbum; a não ser com uma capa alternativa, com Manson atrás do Sigillum Dei Aemeth.

Novamente em contraste com as representações tradicionais, no contexto do Manson acima, ele está, entretanto, bem ciente do tormento em volta dele nessa época, já que outros, como descrito em várias versões do Enforcado – ele está sorrindo, mas Manson não está.

A cruz, embora não esteja presente fisicamente na reinterpretação do Manson, é um elemento onipresente do Enforcado nos decks tradicionais do Tarô, representado pela postura das pernas do homem, que forma uma cruz pelas suas intersecções. Um elemento que facilmente e frequentemente passa desapercebido, é que a maioria das versões do Enforcado, a corda que ele está pendurado, não está no seu pé, na verdade; está apenas ligada ao seu limbo de flutuar no espaço, bem como o Manson, que não está pregado ao crucifixo, mas está CRUCIFICADO NO ESPAÇO, já que não há uma cruz. “Esse é o porquê da corda que o conecta ao mais alto dos quatro elementos (terra, ar, fogo, água), a barra horizontal não está presa ao seu pé, na verdade; o homem está pendurado no nada. [1]”

Nos decks tradicionais, “nesse nível de interpretação, podemos ver que a carta proclama aquele homem como uma força de vida invisível, que está de cabeça para baixo, a vida humana como é vivida agora é algo anormal. Ao mesmo tempo, a estrutura da carta reflete a liberdade do homem de continuar nessa posição desconfortável, para ele é um certa extensão livre dos quatro elementos que o ligam dentro da experiência temporal. [1]”

Um dos temas centrais no Holy Wood, bem como na Triptych como um todo, é o constante tema da revolução, evolução e ressurreição como a metafórica transformação. A inclusão do Enforcado na capa do álbum é bem pertinente e representativa nesse tema. “Em um tema mais alto de interpretação, podemos considerar o Enforcado como uma declaração sublime de uma verdade cósmica de que o homem precisa morrer para renascer em um plano mais alto... Esse ensino profundo é favorecido com alguma esperança, que os gráficos insistem em uma relação entre o cabelo do homem, que é representado pendurado para baixo e as gramas do outro lado, implicando que a vida pode surgir dessa “morte humana”. [1]”

O princípio oculto do qual o Enforcado representa, ou o caminho que é delineado, é que o homem tem a liberdade e mobilidade de ficar nessa posição caótica e desconfortável. A reinterpretação do Manson reflete isso acertadamente, bem como, em apenas uma nova perspectiva em relação ao Cristianismo, ilustrando ele mesmo como o crucifixo condenado que a sociedade pode, hoje em dia, se livrar da cegueira de sua própria persuasão Cristã que eles eles próprios se condenaram. Como a versão do Manson é uma representação invertida, ela empresta a conotação ao paradoxo daqueles que são cegos em seus próprios estados, que acreditam neles mesmos em estarem certos. E esse é o tema que Holy Wood evoca e, reciprocamente oferece uma liberdade ao ouvinte dessa prisão psicológica.

 

A primeira carta que aparece dentro do encarte do Holy Wood é a carta da Morte; a décima terceira carta do Major Arcana. Seguindo na veia com o tema do Enforcado em série, a carta da Morte não representa a morte física, mas, sim, é simbólico a mudança e transformação.

A carta da Morte é representativa de Saturno. Como oposto a descrição de um esqueleto inteiro – como é tradição nos decks, Manson, ao invés disso, é apenas metade existente. Sua parte mais baixa foi comida, ainda que a carne esteja intacta com a coluna verterbral visível; o caminho e base da energia Kundalini/Chakra (VEJA: ALQUIMIA E CABALA no NACHTKABARETT). O esqueleto é frequentemente descrito como a Morte em representação de “O esqueleto é a parte do corpo mais inacessível aos assaltos da experiência e tempo. A carne envelhece e decai, o osso continua. Então a carta é uma imagem de continuidade da vida e natureza, na qual a morte é uma parte do ciclo da vida, morte e vida renovada. [1]” Temas descritos pelo Manson; tais como a vértebra da espinha preservada mesmo depois da carne ter apodrecido. Similar ao Enforcado (que é a carta anterior no Holy Wood), que representa o ciclo pelo seu cabelo estagnado de cabeça para baixo, tangente à grama crescendo para cima da base da imagem; vida evoluindo da morte e regeneração.

A carta da Morte de um deck antigo [1] representando a formação de Saturno pela foice e a intersecção dos braços. Um comum mecanismo de imagem escondida no Tarô, que vai de símbolos como esses, até às letras em Hebreu, que cada carta é correspondente.

Também tradicional dentro da representação da carta da Morte, é que a Morte é frequentemente representada com uma foice, para o propósito de representar Saturno podando a matéria morta no ciclo de renascimento e rejuvenescência. A posição da foice faz um paralelo com a intersecção das mãos da Morte segurando-a na forma do símbolo de Saturno. Isso, claro, não seria a primeira instância no paralelismo do Manson às forças de Saturno, conhecido como o Devorador; evidente no encarte do Holy Wood, bem como atuando como Saturno no vídeo da The Nobodies. Embora Manson e sua reinterpretação não seja representada por um esqueleto, não esteja segurando uma foice ou com a intersecção de suas mãos auxiliando a formação de Saturno, é, entretanto, residualmente representativa de Saturno, que é esse planeta que a carta da Morte representa. A foice, na tradicional representação do Tarô e sua posição, entretanto, é ecoada dentro da representação do Manson, via o sutil semi-círculo feito pelo suporte IV, como se estivesse curvado e na direita de ambas, está o topo e o fim do suporte.

“A moldura esquelética (em que Manson é representado sugestivamente pelo suporte IV) está na forma da metade de um círculo, que representa espírito em um estado de tensão, a ideia sendo que uma crescente em suas costas atuará como um pires e mantém a energia espiritual seguramente como no COMUDO CRESCENTE DO MERCÚRIO, enquanto uma crescente de cabeça para baixo, como uma cúpula, irá autorizar as energias espirituais a sumir do desgaste. Um crescente estagnado, como nessa Décima Terceira carta (bem como a do Manson), está em um estado de tensão por isso, e que pode cair de qualquer forma – portanto, tem o potencial de ganho espiritual ou perda total. A estrutura gráfica sugere uma atração entre as forças do bem e do mal. [1]”

Ilustração de Saturno usada dentro do encarte do Holy Wood.
Para mais, veja: SATURNO & THE NOBODIESSATURN & THE NOBODIES na seção ALQUIMIA E CABALA section

“A tradicional interpretação divinatória da carta da Morte indica transformação, morte inevitável e a influência saturnina em geral. Marca a transformação acima de todas as coisas e, em particular, se relacionada com a “morte metafísica” que é associada com desilusão e o mundo sensível de aparência. A tradição mantém que no reverso indicam coisas como suicídio moral, em oposição a projetos aparecendo de fontes externas e fatalidade no geral. [1]”

mbora a carta da Morte não seja uma destruição literal, certas simbologias dentro da reinterpretação do Manson fazem, de fato, alusão à morte; tanto literal e como um conceito que seria esperado. Primeiramente, acima do ombro esquerdo do Manson, há uma tela de televisão que passa a ideia de martírio na câmera e o caráter Celebritarian, no qual o Holy Wood gira em torno. Isso é seguido pela foto alternativa da carta da Morte, mostrada na capa do single da The Fight Song, que Manson está em uma pose ligeiramente alterada com o frame 313 do notório filme Zapruder, mostrando o tiro que assassinou JFK (Para mais sobre isso, visite a seção: KENNEDY & KING KILL 33° do NACHTKABARETT). O monitor no encarte do Holy Wood, diferindo, mas em um tema semelhante, tem um corvo que é mostrado no monitor, que também é simbólico da morte, bem como um mau presságio.

O corvo [2], como é mostrado na tela no ombro esquerdo do Manson, onde, na Alquimia, é simbólico dos primeiros estágios da jornada na Alquimia, retirado do trabalho externo e penetrando diante de seu espaço interior, o obscuro mundo interior da alma.

Entretanto, dentro da alquimia, “O corvo preto – ou o Devorador – é o começo do grande trabalho da alma da alquimia. Isso indica os estágios finais do encontro do alquimista com seu espaço interno, através da retirada do mundo externo dos sentidos na meditação, e entrando no que é, inicialmente, o obscuro mundo interior da alma. Ainda nesse estágio, é também descrito, como no caput mortuum, as cabeças da morte, ou como alguma ilustração alquímica mostra, o alquimista morrendo dentro de um frasco. Assim, no símbolo do Corvo Preto, temos a saída da consciência do mundo de sentidos físicos; as restrições que nos liga ao corpo físico. [2]”

Deste modo, nessa veia do corvo e da carta da Morte como uma segunda em sucessão representativa de renascimento, a transformação embarca em uma Odisseia, na qual a Triptych dos três álbuns irá fazer uma crônica desse paralelo.

 

A seguir, vem a Sacerdotisa, também conhecida com a Papa Feminina nos antigos decks, a segunda dentro do Major Arcana e segunda a aparecer no encarte do Holy Wood. “A segunda carta, a Sacerdotisa, significa o lado passivo dos seres humanos. A primeira carta, o Mago – ou Malabarista nos decks antigos, é masculina, e tem uma postura ativa; a segunda carta é feminina, e tem uma postura contemplativa e passiva. [1]”

O Mago com a Sacerdotisa/Papa Feminina na reinterpretação do Manson, que são tradicionalmente considerados o inverso de Adão e Eva. Dentro desse contexto, é interessante notar a alegoria de Adão criando Eva fora de sua costela, enquanto Eva, subsquentemente, na progressão entre as cartas I e II (como ilustrado na carta da Sacerdotisa), cria uma criança fora de sua cavidade vaginal metafórica no seu peito.

A Sacerdotisa, como o complemento inverso do Mago, é a Eva para seu Adão em seus retratos no deck do Manson, e ambos são representados pela cavidade do peito aberto.

Carta tradicional da Sacerdotisa [1] e a Sacerdotisa de Waite [4]. O Manson se baseou na versão de Waite, pelo uso da posição da figura, bem como com os pilares. Waite foi um Maçon e inseriu alguma imagem Maçônica em seu deck. O “B” e o “J” nos pilares atrás dela, são de Boaz (“Força”) e Jachin (“Estabelecer”). Juntas, as palavras representam “Estabilidade.” Essas são representações simbólicas da fundação da Maçonaria.

Tradicionalmente, atrás da Sacerdotisa há cortinas (ou mantos) para “sugerir chifres, que representam força, porque eles penetram e tem receptividade e seus elementos são como um receptáculo. [1]” Dentro da interpretação do Manson, a Sacerdotisa é personificada por Twiggy Ramirez, o andrógino que frequentemente usaria um vestido de boneca no palco. A roupagem é substituida (ou estilizada após a versão de Waite) por uma estrutura que lembra O Baldacchino, uma grande escultura do artista Italiano Gian Lorenzo Bernini, na Basílica de São Pedro, na cidade do Vaticano. Esse aspecto é importante, devido a um aspecto de conhecimento a ser discutido brevemente.

Ela é representada em uma vestimenta Cardinal, em uma dicotomia de imagem, como ela é também referida em alguns casos como a Prostituta de Babalon.

Ilustrações da Papa Feminina [1]; A Prostituta da Babilônia e a Papa Joana, o sacrilégio de uma Papa Feminina com uma criança.

A origem da Sacerdotisa ou Papa Feminina é baseada na estória da Papa Joana, a primeira e única Papa feminina que passou através da hierarquia da Igreja Católica em disfarce e que (dependendo da narrativa) morreu nos passos de São Pedro, onde a escultura aparece dentro da carta. Outra narrativa diz que ela foi dilacerada de membro em membro pelas pessoas e, nesse ponto, foi descoberto que, na verdade, era uma mulher.

A estória da Papa Joana, “de acordo com uma versão, ela era uma garota Inglesa que se apaixonou por um monge e se vestia como um homem para estar com ele sem levantar suspeitas. Depois de sua morte, ela foi para Roma, disfarçada de homem, e tornou-se um padre. Ela passou rapidamente para a Igreja e foi apontada como Cardinal e, em 885 foi eleita como Papa João VIII. Infelizmente, ela ficou grávida e morreu embaraçosamente no parto nos passos de São Pedro. [3]”

Notando os elementos do Twiggy no papel de Sacerdotisa, uma cavidade aberta no peito é mais aparente e ela está segurando uma pequena figura sem vida em sua mão direita, evocativa do parto na roupas Cardinais.

Interior da capa do Holy Wood, representando um esqueleto fetal de cabeça para baixo dentro de sua mãe. Uma ilustração mórbida da vida emergindo da morte.

Nos decks ao longo dos séculos, a capa aberta da Papa Feminina representa simbolicamente uma vagina. Na progressão da interpretação do Manson, os paralelos acima e teorias do feto coincidem com a capa aberta e suas variações, como o peito aberto no lugar da metáfora tradicional.

“Muito frequentemente, esse lado “espiritual” é dado uma real expressão material em uma leitura para um homem consulente, como frequentemente simboliza uma mulher cujo ele está interessado em estabelecer um relacionamento, ou cujo um relacionamento esteja acabando: o mais importante é o desengajamento, por isso não tem relação com uma mulher que ele é, contemporaneamente ligado. Em um certo sentido, a carta relata ao “ideal” ou à “mulher dos sonhos,” e nesse nível, é claramente ligado com a anima, a alma gêmea feminina, pela carta inteira enfatizar esse lado lunar e femininio da dualidade humana... A tradição da interpretação divinatória da carta é que a Papa significa intuição, coisas escondidas, e a influência da lua e Saturno, embora a carta seja extremamente duvidosa. Indica silêncio, a necessidade de silêncio, um estranho e “religioso sentimento.”

Dito isso, e com um dos maiores preceitos dentro do Holy Wood e da Triptych, é que é a Coma White, a entidade inalcançável, a perfeição que Manson/Adão procura. Como a Sacerdotisa é a terceira carta e o começo da progressão, ela contorna esse tema e sua precedência através da Triptych.

 

A próxima carta na progressão do Tarô do Manson, é a carta da Justiça. É o número 11 dentro da ordem do Tarô Trump, que também é o número do martírio na numerologia Cristã e “um novo começo,” porque é a primeira de uma alta série de números acima do 11. A carta marca a concepção do verdadeiro interior, mostrado na impregnação feminina, a mulher, pelo homem, a espada/arma e escalas “como simbólico dos testículos do falo. [3]” Isso segue ao lado com o tema acima da Sacerdotisa, a carta anterior dentro do deck do Manson, que representa nascimento. Entretanto, se alguém lê as cartas de trás pra frente dentro do Holy Wood, a última carta da página, O Mago (Adão), vai fluir com a Justiça (impregnação) e imediatamente depois, segue a Sacerdotisa (Eva e nascimento).

 

PARÁBOLA DITA PELAS TRÊS CARTAS RELACIONADAS QUANDO VISTAS NA ORDEM CONTRÁRIA NO ENCARTE DO HOLY WOOD.

O MAGO/ADÃO
Homem
JUSTIÇA/IMPREGNAÇÃO
Simbólico do falo e testículos
A SACERDOTISA/EVA / EVE
Vagina/Nascimento/Criança/Transformação

Como na linha de interpretação do Manson a Justiça vem diretamente depois da Sacerdotisa, isso segue com uma continuação gráfica da interpretação tradicional dela. Como discutido antes, as cortinas e véus são normalmente retratados atrás da Sacerdotisa, e são simbólicos de chifres; penetração e então receptividade. A carta da Justiça representa impregnação, e marca a concepção do verdadeiro interior. Na representação do Manson, a Justiça tem uma bandeira Americana de cabeça para baixo, que ilustra a continuação desse preceito, representando um estágio no desenvolvimento do Manson, ou anúncio a um domínio maior na transformação alegórica dita pela ordem das cartas.

A progressão das cartas na leitura do Manson da Sacerdotisa (uma antiga interpretação Italiana [1]) com a Justiça que segue. O paralelismo dos véus/cortinas atrás das cartas nessa ordem, é simbólico de receptividade e desenvolvimento. Como a carta da Justiça representa o tema de impregnação, o conceito de receptividade a segue.

Na interpretação do Manson, com Madonna Wayne Gacy representando a Justiça, além do simbolismo tradicional representado, podemos ver vários elementos poderosos que são representativos do Holy Wood e o período em que foi gravado. A mais óbvia é a bandeira Americana de cabeça para baixo. Geralmente, isso pode ser tido tanto como o choque, quanto na guerra que Manson travou contra a América, que falsamente o demonizou. Mas, no contexto de outros símbolos presentes, é a Justiça que virou sua cabeça, é o oposto. O Holy Wood/Celebritarianismo é, em parte, uma diatribe e reação contra a perseguição que Manson sofreu após ser o bode expiatório do tiroteio em Columbine, que quase destruiu sua carreira (até porque os atiradores não eram nem seus fãs) enquanto outro tentavam destruir o Manson fisicamente.

A Justica é geralmente representada com uma escala, que representa as escalas de justiça, pesando tanto valor, como culpa. Nessas escalas da Justiça, vemos o balanço entre a Bíblia e o cérebro, como se fosse a América Cristã que culpou Manson injustamente pelas mortes em Colorado. Vemos a Justiça como o júri e ainda vemos que a Bíblia inclina as escalas a seu favor; denotando irracionalidade acima da lógica. Entretanto isso é feito injustamente, já que o cérebro está em cima na mesa da Justiça, prevenindo-se de dominar com a lógica incapaz de prevalecer em seu tempo do desejo de matar reacionário, por aqueles que quiseram retribuição por matar sem cuidado os que realmente eram culpados. Esse símbolo da Dama da Justiça é uma que é enfeitada com o tribunal Americano, de olhos vendados para representar equilíbrio e imparcialidade. Na reinterpretação do Manson, um passo além dos objetivos olhos vendados, a Justiça é presentada com olhos dela/Pogo removidos. Ela não está apta a ver a verdade pelas mentiras, segurando uma arma, como oposto a tradicional espada como representativo das “Armas, Deus & Governo” (NT: Guns, God and Government) que Manson descreveu apropriadamente nos mais altos ideais da Nossa Nação. E, por último, representando a verdade, devido ao processo e inocência até a culpa provada sendo compensadas pela opinião popular e tradição arcaica.

Carta tradicional da Justiça [1] e interpretação de A.E. Waite [4], uma de suas variações menos alteradas.

Seguindo em ilustrar uma estória conceitual dentro da ordem das cartas do Manson, “além da óbvia conotação de Justiça com as escalas como um símbolo de equilíbrio entre o bem e o mal, e a natureza retributiva da espada, a carta pontua a uma séria necessidade por consideração. A matéria revelada no primeiro setenário tem mostrado o homem ordinário como ele é, e então como ele talvez seja – homem em controle dele mesmo e suas faculdades – e isso ainda marca só o primeiro estágio de seu desenvolvimento interior. O Homem deve parar e considerar muito seriamente se ele quer continuar nesse destino... A presença de sua carta em uma forma padrão para um homem consulente que normalmente indica uma mulher no qual ele se sentirá atraído [1].” Novamente seguindo esses temas paralelos da Sacerdotisa até a Justiça, temos em sucessão, outra alusão a uma mulher “que ele se sentirá atraído,” “uma mulher cujo ele está interessado em estabelecer um relacionamento” é a segunda alusão na ordem do Tarô do Holy Wood à Coma White.

“O que a figura tradicional da Justiça sugere imediatamente, é o princípio de “como um homem planta, ele há de colher.” [3]”

 

A próxima carta, é a carta do Louco. Seu número é o zero, como se ele fosse uma reflexão dele mesmo, sendo a quinta carta no Holy Wood. A reinterpretação do Louco feita pelo Manson praticamente se sobrepõe com o deck de Waite. Entretanto, a diferença que existe na versão do Manson é no contexto; representando o John 5 como o indiferente agente do Serviço Secreto que, pela tolice de sua própria ignorância, deixou Kennedy ser assassinado no dia 22 de Novembro de 1963. Embora o próprio Waite tenha reinterpretado drasticamente a carta do Louco a partir das versões tradicionais, a base para a reinterpretação do Manson também foi feita de uma reinterpretação. Concidentemente central ao Holy Wood, “O Louco às vezes é chamado de Boêmio Vagabundo, Adam Kadmon,” que várias das cartas que Manson escolheu são representativas.

O Louco, a interpretação de A.E. Waite [4] na qual a representação do Manson foi estilizada de uma forma bastante parecida depois.

“Quando o Louco é colocado no topo das cartas, elas são interpretadas como estágios sucetivos da vida humana e progresso. Ele representa a criança no ventre, prestes a cair do precipício na vida terrena. Ele é simples, puro e inocente, ignorante sobre os ensaios e armadilhas que a vida o espera... O Louco é humano, incessantemente distraído junto com o caminho prímulo em busca da borboleta de valores efêmeros, a piedade com os animais e o abismo que ele está prestes a cair. Suas roupas multicoloridas são impulsos confusos que o levam para esse caminho. Sua pobreza é espiritual e a trouxa em seus ombros contém noções mal acabadas, fantasias, todo o âmbito das engenhocas inúteis e perigosas, na qual o homem é obcecado. Ou o bastão e a trouxa são fálicos e representam o fardo de desejo carnal, que pesam sobre ele, e o cachorro talvez fique em pé por remorso. [3]”

Representação tradicional da carta do Louco [1]. A interpretação de Waite (na qual Manson se baseou) difere das representações históricas, que mostram o Louco distraído, mas não necessariamente de uma maneira lúgrube ou prestes a cair do precipício.

A carta do Louco de Waite “tem uma aparência jovem e epicena. Seu bastão e trouxa são masculinos, mas ao invés de um mastro, ele segura uma rosa, um símbolo feminino... Vendo dessa maneira, o Louco é bissexual ou neutro, para mostrar a união definitiva combinando e transcendendo o masculino e o feminino, ativo e passivo, e todos os opostos [3].”

Esse é um tema muito evidente dentro da reinterpretação do Manson, embora a novela em sua execução, todos os temas estão presentes, mas separados e intercambiados com Waite. Isso quer dizer, como oposto ao uso de uma figura bissexual por Waite, na interpretação do Manson há duas figuras, homem e mulher, representando duas metades de um inteiro, embora cada metade do outro esteja fora de alcance. O bastão masculino, que é recorrente ao longo do deck do Manson, é substituido por um rifle. O símbolo feminino, a flor, é também representado pelo Louco, como se ele tivesse apenas um verdadeiro braço. Ao invés, as flores (rosas) atrás dele estão nos braços da Jackie-O. Seguindo no tema do amor feminino e ligação que, em partes, as duas cartas anteriores representam em série, isso pode ser interpretado com o o Louco (que é representacional do interior, e portanto o Manson), que não está completo sem esse Amor, que será recíproco e terá o balanço que não existe dentro dele. Assim, criando uma terceira alusão à Coma White, se interpretarmos a representação de duas metades criando um balanço junto, o que é um preceito da Alquimia.

Essa é pelo menos uma das interpretações que podem ser concluídas analisando a diferença entre a versão de Manson e Waite, mas a base da carta do Louco é uma ilustração de um dos elementos centrais do Holy Wood; JFK, seu assassinato e o Celebritarianismo.

“Em seu ombro direito, o Louco carrega uma bolsa que podemos dizer que contém formas elementares do Pentáculo, Espada, Cálice e Cetro.” Isso é o oposto ao número da carta seguinte no deck do Tarô; O Mago, assim como o Louco, carrega uma bolsa de tesouros. Na representação tradicional do Mago, ele é mostrado em pé em uma mesa apresentando uma visão de todos os tesouros dentro de sua bolsa. “Para o Louco, esses tesouros são meros fardos, e seus valores verdadeiros são desconhecidos. [1].” [1]"

John 5, o agente do Serviço Secreto, usando óculos escuros e carregando um poster de Kennedy pendurado em seu rifle; obviamente andando diante do abismo e não ligando para a importância que ele tem em ser o homem que protege.

Essa representação também vale na versão do Manson, que, ao invés do Louco carregar uma bolsa de tesouros que ele não faz ideia do que seja, John 5, como o agente do Serviço Secreto, carrega um rifle que tem um poster de campanha do JFK pendurado. Em várias versões tradicionais do Louco, também é mostrado com cada um de seus olhos evitados do que está na sua frente e, em alguns casos, até mesmo blindando seus olhos com as mãos. Ao invés disso, John está usando óculos escuros e não presta atenção ao poster que ele está carregando; que é uma representação do homem cujo ele deve proteger, mas falha por causa da sua falta de vigilância.

A carta do Louco é, sem dúvida, a carta que contém a maioria dos elementos e temas do Holy Wood ilustrados dentro dela. O último pedaço operativo da imagem dentro dela é a do macaco/chimpanzé, que é, obviamente, simbólico de outro dos temas mais dominantes através do Holy Wood: A evolução/revolução. “O símio também tem uma conotação má; para um Cristão, está ligado com Satã, que é o “símio de Deus,” [3]” exatamente como Manson disse na “Disposable Teens.” O símio representa o homem elementar, sua natureza animalesca primordial e por causa da natureza ser inerentemente violenta, o símio representa o lado mais obscuro do homem. É esse aspecto de evolução que Manson emprega ao longo do Holy Wood, que o homem é violento por natureza, que os primeiros homens não precisavam de poesia obscena ou heavy metal para incitar a violência; isso é natural e está no Velho Testamento, onde muitos daqueles atos brutais de violência não tiveram a influência do entretenimento; era ainda mais frequente que nos dias de hoje.

A evolução em si também é ilustrada e contida dentro da carta do Louco. Literalmente, “O macaco, o homem e a arma,” todos presentes e presidindo dentro de um dos atos de violência mais notórios já cometidos; o assassinato de John F. Kennedy.

“A carta sem número no Major Arcana consiste de ainda outra declaração de condição onde o homem se encontra nesse planeta... Quando essa carta aparece em um padrão formal, normalmente indica duas possibilidades – que o consulente deveria considerar o que ele tem (simbolicamente, olhando dentro da bolsa que ele carrega) e que ele deveria estar preparado para seguir em outra direção. [1]” Dessa forma, a ordem dessa carta dentro do Holy Wood marca o estágio onde Adam/Manson é incitado e inspirado à ação, mas ainda está nesse ponto incerto, de escolher a direção para articulá-lo.

 

O Eremita é um aspecto muito importante no deck do Manson e particularmente onde aparece; seguindo o Louco. É uma carta importante para o Manson e então presente no oculto, como “outro autores tem conectado-o com o lendários homens sábios, incluindo Hermes Trismegistus. [3].” Na tradicional representação do Eremita, ele é mostrado virado para a esquerda, simbólico da ida ao passado. Inversamente, Ginger, como o Eremita, é mostrado virado para a direita. Diferenças sutis nos elementos como essas, são bem importantes na leitura do Tarô, como cai dentro da natureza subjetiva de cada carta com o seu próprio simbolismo e estrutura gráfica, indivdualmente carregando influência em seu significado. Mais notavelmente nesse caso, o Eremita está virado para a direita e, em contraste com as representações históricas, isso é representativo da jornada do Manson sendo empreendida no Holy Wood e na Triptych, sendo o ponto marcante do Manson indo para o futuro, o direito, oposto ao passado, que é o esquerdo. Isso é importante e prende-se diretamente ao que o Louco é representativo do que ele simboliza dentro do Holy Wood (como visto antes), o estágio “onde Adam/Manson é incitado e inspirado à ação, mas ainda está nesse ponto incerto, de escolher a direção para articulá-lo.” O Eremita, como sendo o próximo ao Louco, ilustra o ponto na estória onde Manson começou sua Odisseia de uma maneira direcionada e clara (começar uma banda, renascer como Marilyn Manson etc, é deixado para interpretação, mas, entretanto, é representativo do começo de uma nova jornada de procura).

Como o próprio Manson é uma necessidade contemplativa de artistas e filósofos, a carta do Eremita pode ter um significado pessoal, onde “um eremita é um símbolo óbvio de afastamento, isolamento, severidade, pureza e concentração em coisas espirituais, [3]” que foi exatamente o que o Holy Wood (bem como o Antichrist Svperstar em contraparte, uma vez que o Eremita também aparece) teve a intenção de refletir.

A versão de A.E. Waite do Eremita [4] em comparação a versão do Manson. Em representações históricas, ele é mostrado tendo obssessão com o passado e indo para trás. A interpretação do Manson para o Eremita está indo para a frente, em direção ao futuro; o começo de uma jornada que ele se compromete no Holy Wood e na Triptych.

Como será discutido mais tarde nesse artigo, o Eremita, junto com o Hierofante, são as duas únicas cartas no Tarô que representam e fazem alusão tanto no Holy Wood, quanto no Antichrist Svperstar (i.e: o começo e o fim da Triptych). É o número nove das cartas Trump e é importante porque “o nove é o número de iniciação e também o número de plenitude, porque é o último dos números básicos, do um ao nove, no quais todos os números maiores são compostos. [3]” Dessa maneira, esse aspecto do Eremita e sua ordem de aparição no Holy Wood, junto com esse parágrafo acima, marca um estágio de crescimento e transformação, sendo o primeiro de muitos.

“Ênfase no passado é o que preocupa o Eremita: talvez seja a sugestão de que sendo um homem velho, ele tenha pouca esperança no futuro. Mas essa visão totalmente materialista da vida não está de acordo com o espírito do ocultismo, que vê esperança na morte. A preocupação com o passado é o que deve estar simbolizado nessa carta: mostra o fato de que o passado pode ser um peso que puxa para baixo até o mais alegre dos espíritos. Na versão italiana, o Eremita carrega um saco, que enfatiza esse sentido de peso do passado. [1]”

Isso é válido, sim, mas “A coisa pela qual o Eremita está procurando pode ser determinada apenas pelo relacionamento dentro do padrão formal. [1]” Também temos que levar em consideração o significado da alteração da representação e simbolismo da personalização do Manson. No tradicional, o Eremita coloca ênfase no passado andando para trás, na reinterpretação do Manson, ele anda para a frente. Esse tipo de alteração é algo predominante em várias versões do deck, onde e quando um objeto ou aspecto é mudado, não necessariamente ele perde seu valor, mas ao invés disso, reflete o posto ou contrário de seu significado tradicional.

“(Eliphas) Levi, identificou-o como a falta da virtude cardinal da prudência, disse que seu lampião é a luz da razão e conhecimento, sua capa é o manto protetor da auto-possessão, e seu bastão fálico mostra que ele tem a ajuda do segredo e eternas forças da natureza... O Eremita é completo nele mesmo, auto-possesso e auto-suficiente. [3]”

O Eremita, como seguinte ao Louco dentro do Holy Wood, reflete o apoio direcionado e com motivo daquela libertação de pensamento que o Louco simboliza. O Eremita é mostrado queimando as possessões que pesavam sobre ele dentro da carta anterior; queimando o bastão, que é tradicional do Eremita, para guiar-se no passado, e usando-o para iluminar o caminho para o futuro. “A presença da carta no formato padrão sempre mostra a necessidade de libertação de alguma memória, em ordem de que o novo, o futuro, deve estar abraçado. [1]”

Também vemos que a versão do Manson sobre o Eremita aparece com sua perna esquerda queimada ou faltando. Como será discutido a seguir, a carta do Imperador, a progressão do Louco, o Eremita e o Imperador estão, progressivamente, com membros faltando. O Louco está sem um braço esquerdo; O Eremita está queimando seu braço falso para iluminar seu caminho e, seguindo nessa sequência, O Imperador está com três membros faltando.

A base mais importante da representação do Eremita é que é a sexta carta mostrada no Holy Wood, assim, a primeira da segunda metade das cartas, então marca o começo da Jornada/Odisseia/Revolução de Adam/Manson.

 

O Imperador é uma das cartas mais importantes no Tarô de reinterpretações do Manson. Ele “representa o homem como ele deve ser... Em um formato padrão, a carta indica forte autoridade, ou talvez uma necessidade de consultá-la. [1]” “O Imperador e a Imperatriz representam a forma adulta do Malabarista e da Papa Feminina, que agora cresceram para tornarem-se pais. [3]” Na base, a aparição do Imperador no Holy Wood pode ser tida para representar o primeiro passo profético na ascendência do Manson e Desejo de Poder. “A tradicional interpretação divinatória da carta, é que o Imperador indica desejo, força executiva, riqueza material, e a influência de Saturno e Marte, apesar da força Jupiteriana. [1]” Ainda diferentes de muitas outras cartas, O Imperador não se importa com o desenvolvimento espiritual, mas, sim, ganhar terreno civil. Ele está sentado, preocupado com o mundo e, como indica, uma mobilidade limitada.

O fato mais radicalmente alterado não é apenas que o Imperador do Manson esteja sentado, mas ele possui apenas um membro, assim marcando a terceira carta em uma fila representando a reflexão de um maneta; com essa representação tendo a adição de duas pernas prostéticas ocas (seguindo do Eremita, que aparece ter queimado ou perdido uma perna em adicional ao seu braço), estando confinado em uma cadeira de rodas. Naquele único membro, ele está segurando um rifle, que sugere uma completa preocupação terrena, se não obssessão. Em adição, a cadeira de rodas tem apenas um movimento bidimensional diante da terra lisa, enquanto seu único braço, que ele se movimenta, está segurando uma arma (para não mencionar a evocação do elemento de ambas primeira e última carta no “Armas, Deus e Governo”).

O Imperador segura o rifle com seu único membro, com o perigo da estagnação por sua única extremidade segurando um dispositivo de baixa terrenidade, natureza humana. Ele está inapto a se movimentar por causa disso e só dá poder a si mesmo de uma forma materialista. A águia, aqui brasonada em seu capacete da Primeira Guerra Mundial (também um elemento de representação tradicional, embora de maneira diferente) é tipicamente representativo da ascenção espiritual. Nos decks tradicionais, a águia é ainda descrita em um escudo ou sentado próximo a ele, com asas apontadas para baixo, sugerindo estagnação espiritual. Podemos interpretar a águia com asas abertas de uma das duas maneiras: pode sugerir um espiritualismo ainda presente, mas vencido, simbólico de necessidade para outra ascendência espiritual; ou então podemos interpretá-la invocando o espiritualismo feito para o propósito de autoenaltecimento, i.e – “Pegando armas em nome de Deus”/”Armas, Deus & Governo”

“O IMPERADOR É CONECTADO COM ENXOFRE, O QUE É ASSOCIADO AO DEMÔNIO E CHAMAS DO INFERNO, E É INTERESSANTE QUE NA MAIORIA DOS TARÔS, APENAS O LADO ESQUERDO DA FACE DO IMPERADOR É VISÍVEL, PELO LADO ESQUERDO SER, POR TRADIÇÃO, O LADO DO DEMÔNIO. [3]”

Várias versões da carta do Imperador o descrevem segurando um escudo com o emblema de uma águia gravado, ou então uma águia sentada, com asas apontadas para baixo. “A águia é “fundamentada” – tem ficado no chão perto da cruz da materialidade (as pernas cruzadas do Imperador nas cartas tradicionais) em ordem de indicar que voos espirituais não são requeridos nesse estágio de desenvolvimento. Uma deve concentrar nas condições ao redor da outra, com as condições que a vida em si oferece se uma quer desenvolver interiormente. [1]” A interpretação do Manson também contém uma águia, entretanto, é brasonada no capacete da Primeira Guerra mundial acima de sua cabeça, como oposto ao escudo.

Também sendo diferente das versões tradicionais, é que Manson está segurando o rifle com sua mão esquerda (uma espada ou cetro, como o símbolo fálico ou fertilização do espirito, nos decks tradicionais). Esse tipo de liberdade, como notado antes, é um que Manson tem utilizado ao longo de seu deck e, como também notado antes, esse tipo de editorial conceitual é um que várias reinterpretações do Tarô têm feito no passado. Esse tipo de emprego não é, necessariamente, uma alteração no significado, mas ao invés, generaliza o inverso ou extrapolação do significado de um símbolo. Manson tem mudado vários elementos em seu Tarô o uso da mão esquerda, o caminho do mal, é um que é particularmente notável. Por exemplo, dentro da carta do Demônio, e dentro da capa do Antichrist Svperstar, que Manson está na pose invertida do Baphomet. Notavelmente nesse respeito, é que a carta do Demônio vem depois do Imperador, sendo consistente com vários símbolos, seguindo ao longo da cronologia do Manson.

Variações do Imperador; antiga versão Inglesa [1] e a versão de A.E. Waite. [4]

Muito mais explícito nas representações tradicionais, é que a silhueta das costas do Imperador sentado, cria uma forma de um crescente proposital. “O crescente é a metade do círculo, que é por si só um símbolo para o sol, e isso, além da receptividade, sugere a ideia de uma força exigindo conclusão. A tradição Platônica ensina que nenhum espirito é completo enquanto estiver na Terra, e a carta do Imperador (lembrando que todas essas cartas foram propositalmente escolhidas pelo Manson, bem como a ordem de aparição) é, ainda, outra carta que reflete inerentemente o conceito de cobiça por um amor perdido, a necessidade pela outra metade; Coma White.

Seguindo tanto visualmente, quanto tematicamente com o Holy Wood e, particularmente, na The Love Song, “o Imperador é Deus como pai e criador. [3]” Manson descreveu a The Love Song como sendo a primeira música não-introdutória do Holy Wood, ilustrando a metáfora onde o Pai é a Arma, a Mãe é o Gatilho e o Filho é a Bala; atirada onde seus pais apontaram e onde eles o induziram, com o refrão “Você ama suas Armas? Deus? Governo?” “O número do Imperador é quatro, que defende a firmeza, sistema, a terra e a forma de construção das coisas. Ele sugere poder temporal, patriarcal, autoridade, governo, administração, a imposição de ordem no caos, a regra de lei na natureza e sociedade. Ele também sugere guerra, conquista, disciplina, e a repressão de hostilidade e rebelião... O Imperador defende a dinâmica, princípio ou “as grandes forças energizantes” que penetram e organizam tudo passiva e potencialmente. [3]”

O crescente, também discutido antes, criado pela silhueta das costas e pernas do Imperador, similar à foice saturnina e intersecção dos braços na carta da Morte, também cria o símbolo de Júpiter; Rei dos Planetas, outro símbolo de autoridade patriarcal. “A força do símbolo de Júpiter é para transmitir a ideia de ascendência espiritual pela cruz da materialidade. [1]” Ele é um poder absoluto, mas imóvel, assim, ilusório como seu poder, é temporal, e não estende além desse plano de existência limitado que ele está atualmente resignado para que ele possa progredir.

 

A próxima carta no Holy Wood e a décima quinta no Major Arcana é a carta do Demônio. Está também sob o Zodíaco, no signo de Capricórnio, que é o do Manson, querendo dizer que a carta do Demônio é a carta do Manson. O Demônio ainda marca a primeira carta onde vemos o corpo do Manson em sua forma verdadeira, sem a perda de nenhum membro ou cavidade, mas substituído por uma cabeça de carneiro como se fosse um auto-retrato do Baphomet. A numerologia tem sido uma inclusão esotérica importante para o Manson desde o Antichrist Svperstar. O número 15 sendo o mais significante, particularmente no Mechanical Animals, onde o Manson foi tão longe ao soletrar seu nome como “MAR1LYN MAN5ON,” mas também dentro do Holy Wood como Manson anunciou que seria fundamental antes do lançamento do álbum. E como tal não pode ser uma mera coincidência, onde vemos em total forma e na pose que abriu o Antichrist Svperstar na carta 15 do Tarô.

Mais aplicável ao Manson é que “na astrologia, o regente de Capricórnio é Saturno, que tem uma antiga reputação como um poder maléfico, ligado com a cor preta e a morte, tempo e destino. [3]” Embora Mercúrio tenha sido o principal poder evocado pelo Manson no Holy Wood, como dito antes, há também um tema Saturnino distinto, mas ainda assim sutil recorrendo no álbum. Saturno sendo o devorador na mitologia e, frequentemente, associado com Satã, é uma influência traiçoeira e obscura que aparece dentro do Holy Wood; o vídeo da The Nobodies, o próprio sinal de nascimento do Manson, entre outros. “Capricórnio é associado com os joelhos, e ficar de joelhos é um sinal de obediência e submissão, sugerindo que o humano começa em uma servidão em circunstâncias... A carta da letra Hebráica “ayin,” (olho) implicou o que é visto, a aparição supérfula das coisas, e então defende o erro do materialismo – confundindo aparições na realidade e supondo que nada existe além do que é plano no sentido.” [3]

Seguindo ao lado do rifle do Imperador em sua mão esquerda, como inversão da representação tradicional, mais duas das utilizações mais notáveis do Manson sobre elementos invertidos para o significado contrário, estão nessa carta do Tarô e dentro da capa do Antichrist Svperstar, “em certos ensinamentos populares, sem dúvida, no ocultismo a mão direita sugere atividade, a esquerda, passividade [1]” e como discutido dentro da seção O OCULTO do NACHKABARETT, ao longo de trabalhos alegóricos ocultos e religiosos, o caminho certo denota o eficiente, o bom, considerando que a mão esquerda é o caminho mais obscuro. Assim, a queda da mão esquerda pode sugerir um poder obscuro prevalecente.

“A figura do demônio nessa carta tem sido identificada variavelmente com Pan, Baphomet dos Cavaleiros Templars e o próprio Lúcifer, embora seja evidente em um estudo de imagens que é para significar a força mais baixa, inércia e escravidão em todo homem. [1]” Isso é discutido além, bem como o simbolismo permeado do Baphomet ao longo da história e arte na seção O Oculto do Nachtkabarett, sendo uma representação dos (benígnos) princípios Ocultos, mas mais tarde demonizado pelo Cristianismo e sua necessidade de erradicar outras religiões que não estão de acorodo com sua ideologia altamente arregimentada e maquinada. Entretanto, nos termos da representação da carta do Demônio e provavelmente em partes sob influência histórica de suas conotações traiçoeiras, “a imagem é para transimitir todas as características e qualidades baixas do homem aprisionado em materialismo e ignorância de seu potencial espiritual.” [3] O Antichrist Svperstar também marca o período da grande influência filosófica de Anton LaVey no trabalho do Manson e que, se alguém lê os textos de LaVey, essa natureza muito mais baixa é o que é perpetualmente fornecido; nunca aparecendo além dos instintos carnais e animalescos e certamente não-espirituais. Com o tempo do primeiro emprego da carta do Demônio no contexto do Manson, bem como o simbolismo por trás dessa carta, pode ser visto nesse sentido como representativo desse ponto da vida do Manson e suas influências predominantes durante esse período, se visto dessa maneira. Seguindo, “a décima quinta carta é para simbolizar a ideia de estagnação, que frequentemente se manifesta na vida material como um senso de completa frustração, uma total barreira para a liberdade espiritual, moral e desenvolvimento da libertação física... A carta representa um período de estagnação, completa frustração e um senso de uma insuperável barreira espiritual. [1]”

Diferindo-se das representações tradicionais, é que as duas figuras, que são consistentemente vistas apoiando-se em cada lado do Demônio, são duas garotinhas (negra e branca; opostos) como oposto a um homem e uma mulher na posição convencional em uma forma diminutiva do demônio. “As duas figuras se apoiando abaixo."